Não acabou, não
No entanto, faltam-me idéias e tempo para manter o blogue nestes últimos dias. Voltarei aos poucos. Por enquanto, leiamos todos o site brasileiro do Instituto Ludwig von Mises.
Hans-Hermann Hoppe em Português
Baixe logo o PDF de “Uma Teoria sobre o Socialismo e o Capitalismo” (A Theory of Socialism and Capitalism) do Hans-Hermann Hoppe, traduzido para português pelo Klauber Cristofen do Libertatum.
(Fonte)
A busca pelo prazer
Dentro da sociedade civil, o que define o mérito do indivíduo é a sua capacidade de servir aos outros. Um vendedor, por exemplo, depende inteiramente dos seus compradores para poder se manter no topo do sistema de méritos estabelecido no capitalismo.
Para que ele venda seus produtos, é necessário que eles sejam, de alguma forma úteis.
De onde se conclui:
Utilidade = Trabalho = Dinheiro = Sobrevivência
Ou seja, o que define o mérito de um comerciante no capitalismo é sua utilidade social.
O Estado não funciona assim. Dentro do Estado uma pessoa é eleita para governar um determinado período. Os ganhos não dependem da utilidade das ações dos políticos dentro de suas gestões, mas pela capacidade que eles têm de convencer – e, por vezes, enganar – a maioria das pessoas, ganhando as “eleições”.
Propostas Convincentes = Vitória = Dinheiro = Sobrevivência
Dentro do sistema de méritos do Estado, ganha quem convence mais. Convencer, é claro, não é uma tarefa que precise lidar apenas com a verdade. Muitas vezes pode-se convencer através de mentiras, portanto, a mentira e a fraude são recompensadas, de certa maneira, na meritocracia Estatal.
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A utilidade é recompensada na meritocracia comercial
Isso não significa que a utilidade também não possa ser enganosa. Por exemplo, pode-se vender um produto A ocultando seus defeitos. Mas a instrução da sociedade torna esse tipo de mentira cada vez menos recompensada.
Cabe aqui uma expicação para “utilidade”. A utilidade de um produto depende da satisfação (ou do desprazer evitado) que o indivíduo terá ao utiliza-lo. O tempo e o valor também entram na equação. Por exemplo, caso uma pessoa seja levada a escolher entre um computador e uma festa, ela poderá escolher o primeiro por causa do tempo em que o computador pode proporcionar prazer.
O preço também é definido pela possibilidade de obter prazer, uma vez que as pessoas vão buscar mais os produtos mais “prazerosos”.
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O problema das sociedades coletivistas
Os sistemas coletivistas partem do pressuposto de que o homem merece determinados direitos apenas por sua condição humana. Basicamente oferece-se uma parcela de toda propriedade do mundo para todos os seres humanos existentes, desconsiderando qualquer merecimento que a pessoa possa ter. Os ladrões e preguiçosos ganham o mesmo tanto que os trabalhadores, e, sendo o trabalho um sacrifício, o benefício de viver sem trabalhar (no entanto se apropriando dos frutos do trabalho alheio) são muito maiores.
O problema é que a busca por satisfação está entranhada no ser humano. Qualquer sociedade que desconsidere isso e acredite que todos seremos maravilhosos e bonzinhos por simples altruísmo (ou por doutrinação), é falha.
Invadir a propriedade alheia
Andou circulando entre alguns blogs, uma discussão que se baseava na seguinte pergunta: É lícito A invadir a propriedade de D para impedir que B mate C?
Alguns disseram que não, alguns que sim. No entanto, o problema da discussão é que a maioria das pessoas que disseram que sim afirmaram que isso era uma prova de que o direito natural não se encaixa em determinados casos.
Vamos aos fatos.
A é livre para fazer suas escolhas. Se ele considerar muito arriscado, ou se acreditar que é um esforço inútil salvar B de C, ele pode, simplesmente, não ajudar. Dizer que A deve ajudar é negar o seu direito ao próprio corpo, é torná-lo um escravo das expectativas da sociedade.
Mas caso ele decida ajudar, a linha de pensamento a se seguir é esta:
B está agredindo alguém, então, só podemos supor duas coisas sobre D (o dono da propriedade):
a) Ele está ciente da agressão que está sendo feita nos limites de sua propriedade.
b) Ele não está presente e nem está ciente da agressão.
Ora, se D está ciente da agressão a C, isso o torna, por extensão, um agressor. Como eu demonstrei no post anterior, ele perde seus direitos à propriedade no instante em que ignora os direitos alheios. Invadir a propriedade de D não é errado porque ele não tem mais jurisdição sobre ela.
No entanto a questão se complicou desnecessariamente quando foi debatido se ocorresse o que está na segunda opção. Se D não está ciente da agressão, isso implica que B também invadiu a propriedade de D. A estaria, na verdade matando dois coelhos de uma vez só: ajudando o agredido e ajudando D, que teve sua propriedade invadida. Isn’t wonderful?
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Yay! O direito natural não falha.
O Axioma da não-agressão e a retaliação
1. O que é o axioma da não agressão?
Pelo axioma da não agressão se infere que o uso de força só é lícito quando serve para defender os direitos à propriedade. Na realidade o axioma só é uma extensão lógica do direito natural à propriedade (uma vez que os direitos à propriedade e auto-propriedade implicam no dever de não agredir a propriedade alheia).
2. Por que é inerente aos seres humanos?
O direito à propriedade privada é inerente pois todas as conquistas de nossa espécie se devem à apropriação dos recursos naturais pelos indivíduos. Caso tudo fosse “propriedade coletiva” (inclusive os próprios homens), teríamos que pedir autorização uns aos outros sempre que fôssemos utilizar alguma coisa. O desenvolvimento (científico, tecnológico, filosófico, social…) seria nulo, ou, na melhor das hipóteses, muito lento.
3. Pode, mas não deve.
Isso não quer dizer, de maneira alguma, que as pessoas não podem fazer ações que agridam este direito natural. As provas disso são os ladrões, os aproveitadores e os assassinos. No entanto, uma sociedade que deseja se manter harmoniosa não deve permitir a agressão, caso contrário estará fadada ao fracasso e à destruição.
3. A retaliação
Uma vez que algumas pessoas podem ir de encontro aos direitos humanos, os prejudicados devem utilizar a força em retaliação ao agressor. No entanto, o que é que torna a retaliação moralmente correta?
A resposta está na perda dos direitos humanos por parte do agressor. O direito natural, mesmo sendo inerente à nossa condição, só pode ser mantido quando todos o obedecem. No instante em que alguém desobedece esses direitos, deixa de possuí-los automaticamente.
Usemos como exemplo os animais: Uma onça ou um cachorro não obedecem às nossas regras de propriedade, portanto não somos obrigados a incluí-los entre os beneficiários dos direitos naturais.
Uma sociedade onde não há retaliação também está fadada ao fracasso uma vez que os aproveitadores sempre vão ser beneficiários das ações dos honestos.